De Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athayde
Este
livro reúne três histórias de
vida, três cabeças infernizadas pela
mesma pergunta: qual é a saída para
a violência absurda, a injustiça desumana,
a desigualdade degradante em nosso país?
Cabeça
de Porco é o resultado de um trabalho em
duas fontes: entrevistas e filmagens feitas por
MV Bill e seu empresário Celso Athayde nos
últimos 15 anos em favelas de nove estados
brasileiros sobre crianças e jovens que vivem
no mundo do crime, suas razões e a dimensão
humana de suas vidas. A esta pesquisa original,
relatada com a emoção de quem assistiu
de perto à situações perigosas,
se associam os textos do antropólogo Luiz
Eduardo Soares – um conjunto de registros
etnográficos apurados ao longo dos últimos
sete anos, sobre juventude, violência e polícia.
|
|
Os dois projetos se encontraram, porque os valores e a interpretação
dos problemas eram convergentes, e os três autores decidiram
completar suas respectivas tarefas com um conjunto de entrevistas
qualitativas realizadas em 2003 pelos professores Helio Raimundo
Santos Silva e Miriam Guindani.
Celso
e MV Bill sintetizaram toda a carga de informações
sociais e culturais acumulada por sua pesquisa em narrativas
que preferiram escrever em primeira pessoa, para enriquecer
suas descrições com os sentimentos vividos e
as interpretações que as experiências
suscitaram. Em diálogo permanente com os co-autores,
Luiz Eduardo teceu a rede dos textos, procurando combinar
interpretações com retratos os mais fiéis
possíveis de cenas vividas por um sem-número
de personagens, todos verdadeiros, imersos em situações
reais – ainda que sob nomes fictícios e em cenários
ligeiramente alterados para lhes resguardar as identidades,
como determina a ética de toda pesquisa social. Em
alguns casos, não se furtou a reconhecer que era ele
mesmo o protagonista. Tomou sua passagem por governos como
oportunidades para observação e registro de
episódios reveladores do funcionamento subjetivo e
social da violência e da insegurança pública.
O
propósito do livro é traçar um painel
realista sobre a violência instalada no Brasil. A intenção
não é denunciar. É compartilhar com os
leitores preocupações e reflexões, na
perspectiva de manter viva a esperança.
Os
autores não gostariam que este fosse considerado um
livro sobre o crime e a violência, melancólico
e bonito como flores na sepultura. Desejam que ele seja lido
e usado como uma ferramenta cheia de vida a serviço
da construção das saídas. Segundo Luiz
Eduardo “não há, entre nós, dogmas
ou disputas pela verdade (...) o livro revela o que temos
de semelhante, nossa sensibilidade para enxergar esse universo,
e não as nossas diferenças socioeconômicas.”
Depoimentos
sobre “Cabeça de Porco”
"O
Luiz Eduardo Soares é um craque. É um salto
qualitativo, é um corte epistemológico até
entre os epistemologos. Ele teve a coragem de sair da caverna
da academia e foi direto ao mundo ensolarado de fora. Tem
pago caro por isso, tanto dentro quanto fora. O Luiz nos dá
um exemplo: usar o que estudou para ajudar o país a
melhorar. Nesse livro ele não se deixa intimidar pela
falta de saídas, pela ameaça do "insolúvel".
Dialoga com os homens que vivem as tragédias do Rio
na carne e, mesmo sem acreditar em soluções
mágicas, busca remédios, processos novos. Devia
ser imitado pela turminha das torres de marfim." –
Arnaldo Jabor
"Cabeça
de Porco bate de frente com o tema da violência em seus
vários níveis, discutindo suas questões
e dilemas como um drama social e desafio moral. Como uma morada
múltipla, o livro apresenta um quadro raro nesses escritos,
combinando narrativas de fatos, memórias e entrevistas
com reflexões teóricas de grande sabedoria.
As vozes de MV Bill, um raper; do seu empresário, Celso
Athayde; e do consagrado antropólogo e especialista
em segurança pública Luiz Eduardo Soares, ultrapassam
o campo da denuncia, iluminando um terreno batido pela escuridão
do preconceito, pela má-fé da baixa politicagem
e por uma proverbial ausência de compaixão. Poucas
vezes li um texto tão intrigante e inteligente."
– Roberto DaMatta
"Cabeça
de porco. Parceria morro-asfalto: Luis Eduardo Soares + MV
Bill/Celso Athayde. Conexão asfalto branco classe média
+ preto pobre periférico. Dois mundos que não
se comunicam. Mas aqui, apesar da distância que os separa,
o que surpreende são as semelhanças e não
as diferenças. Morro e asfalto se tornando parceiros.
Uma parceria possível? Dois mundos. Um legitimando
o outro. Cabeça de porco.” – Fernanda
Abreu
"Cabeça
de Porco revela raro talento de ligar o particular ao geral,
sem dissolver a dor do primeiro na frieza analítica
do segundo. O livro combina, como poucos, reflexão,
sensibilidade e solidariedade humana". – Gildo
Marçal Brandão, Professor livre-docente
do Depto. de Ciência Política da USP
"Cabeça
de porco lança luz inédita sobre a gravíssima
questão da segurança. Indicando soluções
surpreendentes e críveis, o livro une delicadeza e
coragem, ira e lucidez, potência e impotência.
Fazendo-nos assim crer na possibilidade do impossível.
Ninguém foi tão longe no assunto." –
Domingos Oliveira, Dramaturgo e escritor
SOBRE
OS AUTORES
Luiz
Eduardo Soares é cientista social e antropólogo.
Participou do governo do Estado do Rio, de janeiro de 1999
a março de 2000, na condição de subsecretário
de segurança pública e coordenador de segurança,
justiça e cidadania. Colaborou com o governo municipal
de Porto Alegre, de março a dezembro de 2001 como consultor
responsável pela formulação de uma política
municipal de segurança. Foi secretário nacional
de segurança pública, do governo federal, de
janeiro a outubro de 2003, iniciando a implantação
do plano nacional de que foi um dos fundadores. Em 2000 foi
pesquisador visitante sobre o mesmo tema no Vera Institute
of Justice de Nova York e da Columbia University. Atualmente
é professor da UERJ e diretor do Instituto pela Promoção
do Sistema único de Segurança Pública.
Tem 10 livros publicados, entre eles o romance "Experimento
de Avelar", premiado pela Associação de
Críticos Brasileiros em 96, e "Meu Casaco de General",
finalista do Jabuti em 2000, onde relatou sua experiência
na coordenação de segurança pública
no Rio de Janeiro.
MV
Bill é carioca da Cidade de Deus, onde mora
até hoje. Com um repertório musical marcado
pela denúncia social e política, tornou-se um
dos mais famosos e respeitados rappers do país. Recebeu
vários prêmios por sua atuação
no movimento hip-hop, como o destaque do ano da Unicef em
2004 e, em 2003, como um dos rappers mais politizados dos
últimos dez anos, prêmio também concedido
pela Unicef. No Fórum Mundial das Culturas, em Barcelona,
em 2003, recebeu das Nações Unidas um documento
que o consagro, junto a artistas de vários países,
como Cidadão do Mundo.
Celso
Athayde é um dos mais atuantes empresários
de rap e hip-hop do país e um dos fundadores da CUFA
(Central Única de Favelas).
BACK
TO MV BILL
|