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EVENTS
FOOTPRINT POETRY CONTEST 2005


Dear Friends,

Here we are, once more, with the result of our poetry contest. This year, we brought a contemporary theme to all human history. We’ve thrown the question:

Why poetry in times of war?

For our surprise, loads of responses, the same quantity as last year, when we had an open theme. From the 30 poems we received, only 8 are displayed here.

 

Footprint Contest 2004
(in Portuguese)


Andrea Amaral de Sousa, last year’s 7th place with the poem “Sea” reached the 2nd and 7th place this year with “The Scream” and “Sad Art”; Orlando Moraes Junios show us the contradictions and balances between poetry and war; Daniel Fonseca honoured us with his first poetry; While João Carlos Meutefeul tells a critical history of Brazilian Nation in ‘RAPsodic’ verses, Tiago Teixeira Saraiva points out an intrinsic relationship between poetry and war; fine artist Sérgio do Anjos brought a minimalist and concrete hint to the group; and Lucas Maciel tear our flesh apart with his “ragged flag scream”, poem with which we initiate this virtual poetic collection.

We wish everyone a Good Reading!

Footprint project team
footprintproject@aol.com

PS: the poems are only available in Portuguese language.

Special thanks, as always to: Amelia Alves from the Brazilian Embassy in London, Bloomsbury Publishing and www.brazilianartists.net


Caros amigos,

Mais uma vez, aqui estamos com o resultado do nosso concurso de poesia. Este ano trouxemos um tema contemporâneo aos tempos atuais assim como a toda história da humanidade. Jogamos a pergunta: Pra que poesia nos tempos de guerra? E, para nossa surpresa, tivemos um grande número de respostas, mesma quantidade que no ano passado, no qual o tema era livre. Dentre 30 poemas apenas 8 estão aqui publicados.

Andrea Amaral de Sousa, nosso 5º lugar do ano passado com o poema “Mar” encontra-se este ano em 2º e 7º lugares com “O Grito” e “Triste Arte”; Orlando Moraes Junior nos mostra os equilíbrios e as contradições entre guerra e poesia; Daniel Fonseca deu-nos a honra de receber sua primeira poesia; Enquanto João Carlos Meuteufel conta uma história crítica da nação brasileira em versos ‘Rapsodianos’, Tiago Teixeira Saraiva aponta a intrínseca relação entre poesia e guerra; o artista plástico Sérgio dos Anjos trouxe um toque minimalista e concreto ao grupo; Já Lucas Maciel, rasgou a nossa carne com seu “Grito de bandeira esfarrapada”, primeiro poema com o qual abrimos esta coletânea virtual.

À todos, Boa leitura!

Galera do Footprint project.
footprintproject@aol.com

Classificação Poemas Footprint project 2005

1o lugar
“Meu Grito de Bandeira Esfarrapada”, por Lucas Maciel
Pseudônimo: Nego
2o lugar:
“O Grito” por Andreia Amaral de Sousa
Pseudônimo: Andreia Amaral de Sousa

3º lugar:

 

“Sob o céu”, por Sérgio dos Anjos
Pseudônimo: Sérgio Terra

 

4º lugar:
“Acho que só há poesia se houver (algum tipo) de guerra” por Tiago Teixeira Saraiva
Pseudônimo: Gandalf, o cinzento

5º lugar:

 

“Apenas mais um”, por João Carlos Meuteufel Junior
Pseudônimo: João Gordo

 

6º lugar:

“Tempo”, por Orlando Moraes Junior
Pseudônimo: Orlando Moraes Junior

7º lugar:

 

“Triste Arte” por Andreia Amaral se Sousa
Pseudônimo: Andrea Amaral de Sousa

 

8º lugar:

“ Para poesia em tempos de guerra”, por Daniel Fonseca
Pseudônimo: Daniel Bokanzsche

 

First - Go to top

Pseudônimo: nego

O meu grito de bandeira esfarrapada
Por Lucas Maciel


Para que poesia em tempos de guerra?
Poetas não lutam, não matam soldados
Não salvam vidas.
Os poetas apenas divagam,
Parafraseiam a tragédia
E nela sorriem.

Sim, a poesia é trágica
E, tragicômicos são os poetas
È a dor que a norteia
A ferida aberta se transforma em grito poético
A alma sofrida tenta salvar-se
Assim como na guerra.

O meu canto é de guerra
Ele se transforma em milhares de ais
O meu grito é de sofrimento, de povo
De guri de pés descalços
E de pele mulata
Que só quer viver em paz

E tu, por quê guerreias?
Se é injusta a tua causa
Se vais sofrer, e sofrerão muitos
Serias como o poeta,
Que, na alegria busca a tristeza,
Que regozija-se no sofrimento?

O teu grito de bandeira esfarrapada
Há de morrer, como o teu coração aflito
E a poesia, esta sim sobreviverá
Para lembrar da tragédia,
Para acalmar os corações,
E para amedrontar os ditadores.

 

Second - Go to top

Pseudônimo: Andreia Amaral

"O GRITO"
Por Andreia Amaral de Sousa

Na cidade surda um grito cortou os meus pulsos.
Vestida de sangue, carne e poesia,
atravessei desertos mais férteis do que esta existência,
que se espreguiça junto a espinhos de não perdões e,
sem aviso,
acorda numa reprimida versão de um paraíso blasfemado.

Afogada em mim, perdida, suja de pensamentos,
maltratada pela seca dos vãos sentimentos,
exausta de implorar pelo calor de frios passageiros desta terra a qual nunca
pertenci,
O grito surgiu de súbito e se extinguiu com idêntica velocidade, mas deixou
herança

Era o desejo. E ninguem mais pode ouvir.
Entretanto considerei.

Clamei pelo toque sobre a carne umedecida da sede de desejar.
E ainda clamo para que alguém em mim se plante,
Esfomeada, anseio o alimento, o arrepio, o afago, o violento rasgo da pele
quente,
o prazer pela morte, o passeio desvairado pelas entranhas da vida e, enfim,
a sua invasão.


 

Third - Go to top


Pseudônimo: Sergio Terra

SOB O CÉU
por Sergio dos Anjos

SOB O CÉU

DO BARCO LÂMINA
ÁGUA DE MADEIRA OPACA
LUZ ANZOL QUE CORTA
AS MÃOS DE CARBONO VINHO

DO ANZOL OPACO
ÁGUA DE VINHO LUZ
MÃO DE MADEIRA
NA LÂMINA DO BARCO CARBONO

DO BARCO LUZ
A MADEIRA ANZOL
CORTA A ÁGUA CARBONO
E NA MÃO OPACA – O VINHO

 

Fourth - Go to top

Pseudônimo: Gandalf, o cinzento

Acho que so há poesia se houver (algum tipo de) guerra
Por Tiago Teixeira Saraiva


Se eu procuro a razão de ser assim,
me vejo de frente à contradição.
se tento me esconder da vastidão,
sou poeta sujo e covarde, em fim.

guerra não é só bala, fuzil e o mais.
também é solidão e desconsolo.
não são fatias de um mesmo bolo
as quais todas pesam, em si, iguais?

fazer poesia é quase como uma guerra
ambas obras dos "donos" da terra
ambas árduas e irreversíveis.

mesmo com a tecnologia da nasa,
acho que a poesia está para a casa
assim como a guerra está p’ros fuzíveis.



Fifth - Go to top

Pseudônimo: João Gordo

“Apenas mais um”, por João Carlos Meuteufel Junior

 


 

Sixth - Go to top

Pseudônimo: Orlando

TEMPO
Por Orlando Moraes Junior

Talvez do principio já havia...
Guerra!
Mas também se havia...
Poesia!
O homem se conrrompeu e houve...
Guerra!
Mas também algo mudou, novamente se houve...
Poesia!
O tempo eh uma limitação humana
e aos gananciosos, insensatos e desumanos,
deve-se haver...
Guerra!
Mas, aos puros de consciência e desprovidos de petulâncias, sempre deverá
haver...
Poesia...
A guerra leva-se a morte!
A poesia exalta-se a vida!
Para que poesia em tempos de guerra?
Onde houver tempo sempre haverá poesia, pois uma vez morta, findaste o
Tempo!!!

 

Seventh - Go to top

Andreia Amaral de Sousa

"Triste arte"


"Se a tristeza fosse feita de madeira,
eu a moldaria de um jeito que a tornasse mais bela.
Sua aparência se tornaria rebelde, apaixonada e infantil,
Se dela enjoasse, persistiria nas transformações.
E finalmente, após tantos desgastes,
singelamente a abreviaria numa interrogação vil.

Com as poucas sobras, a refaria linda e arrogantemente frágil,
para desfrutarmos, em harmoniosa convivência,
do curto período que minha tolerância oferta ao oco e ao vazio enfeitado de
ilusão...então a reduziria a poeira - medalha que seu peito jamais honraria.
E no instante em que depositasse as sobras de pó do antigo pesar
no ralo da pia do banheiro,
talvez perdesse este meu rosto".

 

Eigth - Go to top

Pseudônimo: Daniel Bokanzsche

Para poesia em tempos de guerra.
Por Daniel Fonseca

Meus conflitos são combatidos...
Por que eu adoro guerrear.
Enfrento, não cedo, avanço...
Escrever, ler, namorar.

Os motivos da dor variam...
Mas alegria sempre impera.
Por pior que seja o sofrimento
A luz sobrepuja às trevas.

A fé tem que ser raciocinada...
E o respeito tem que existir.
Afinal somos aprendizes...
Nessa vida que pouco vivi.

Combato o meu lado imperfeito...
Para tentar me equilibrar.
E valorizo o meu lado bom...
Para as pessoas exemplo ensinar.

Aprendo com as crianças...
Sobre a arte de viver...
Pois em sua vã ignorância...
Não há lutas, não existe sofrer.

A guerra só é da boa...
Quando combatemos o lado mau.
Compreendendo os erros alheios...
Porque errar também é legal.

Uma pessoa é a soma...
Da cultura e crença local.
Então o conceito de um...
Não pode ser regra geral.

A arma da vida é o amor...
A poesia, o sorriso e o abraço.
O combate com esse armamento
Faz da guerra um grande barato.

 

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The A-Z of Brazilian Arts, Entertainment and Cultural Events in the UK

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