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O MUNDO AINDA VAI DJAVANEAR

Por Marco Antonio Junqueira e Marlene Peret
Traduzido por Jana Pietroluongo

Clique para ouvir as MP3 do Djavan

Filosofar sobre o amor pode ter uma sonoridade paradoxal, mas é assim que o músico e compositor Djavan desenvolve seu trabalho, com amor e poesia, unindo-os em uma extensa gama de composições e acordes. “Morrer de amor/Não é o fim/Mas me acaba”. “Eu espero que o Brasil e o mundo se dêem conta do que eles têm em Djavan”, disse o produtor musical norte-americano Ronnie Foster, em 1982, quando na gravação do LP Luz. Após mais de dez anos, o músico volta para uma turnê na Europa, cantando o que o nosso atual mundo precisa ouvir e refletir.

Londres está incluída no roteiro de Djavan, que percorrerá sete cidades durante a turnê de seu último disco Vaidade (2004), o 16º álbum de sua obra e o primeiro lançado pela Luanda Records, gravadora do artista. O show acontece no The Forum, às 20hs, 31 de março. Além de apresentar seu mais novo trabalho, o repertório conta também com antigos sucessos como ‘Meu Bem Querer’, ‘Flor de Lis’, ‘Calmaria e Vendaval’ e ‘Alegre Menina’.

A turnê Vaidade tem início em Portugal – Lisboa, no dia 20, e Porto, 21 –, passa por Paris (26/3) e Zurich (29/3) antes de chegar em Londres, segue viagem para Amsterdam (2/4) e finaliza em Luanda (4/4), na Angola.

Em 30 anos de carreira musical, Djavan vem encantando multidões mundo afora com suas canções e ritmos diversos, imprimindo em seu trabalho um caráter de valorização a expressões culturais brasileiras e de outras localidades do cenário mundial.

Alagoano, de Maceió, o compositor mantém abrangente versatilidade musical, fazendo samba, baião, rap, jazz, funk e estilos como bolero mexicano e até salsa cubana. Já trabalhou com Alcione e Paralamas do Sucesso; e também compôs com Aldir Blanc, Chico Buarque, Caetano Veloso, Orlando Moraes, Arthur Maia e Dominguinhos. Gilberto Gil, Nelson Motta e Gabriel, o Pensador também participam da história djavaniana em parcerias musicais.

Tal pluralidade pode ser traduzida à sua vida, visto que antes de sua saga musical, Djavan ganhava a vida como meio-de-campo no CSA, um dos mais importantes clubes de futebol de Alagoas. A carreira dele, no entanto, mudou de campo ainda na sua adolescência, sentindo-se impelido mais para a música do que o futebol. Com seu espírito artístico-musical, aos 18 anos, Djavan formou o conjunto musical Luz, Som, Dimensão (LSD), com o qual realizou diversas apresentações em Maceió.

Sempre em busca de novos tons, Djavan escolheu bem o Rio de Janeiro como nova moradia, em 1973, quando a capital carioca estava em plena atividade artística, com centenas de produções e milhares de pessoas com novas e brasileiríssimas idéias na cabeça: o advento do cinema novo, o avanço e a profissionalização da televisão nacional e a formação de companhias de teatro, como o legendário Asdrúbal Trouxe o Trombone. Além do mais, lá acontecia, naquele momento, um movimento que impredizivelmente iniciaria um processo que levaria a música brasileira para os quatro cantos do mundo – a Bossa Nova.

Pouco depois de sua chegada no Rio, ele teve a oportunidade de gravar músicas de outros compositores para novelas da Rede Globo. Ainda assim, a vida era dura e para poder sobreviver ele aumentava sua renda trabalhando como crooner nas boates Number One (Ipanema) e 706 (Leblon).

O talento de Djavan, porém, não demoraria a ser reconhecido. Aos dois anos de morada no Rio de Janeiro, em 1975, as portas se abriram após a conquista do segundo lugar no Festival Abertura, o que resultou na gravação de seu primeiro compacto “Fato Consumado”. Em 1976, gravou então seu primeiro LP, intitulado Djavan, que revelou uma das mais significativas canções do compositor, Flor de Lis. Então veio o convite, em 1977, da EMI-Odeon para a assinatura de um contrato, que resultou em três LPs: Djavan (1978), Alumbramento (1980) e Seduzir (1981).

Gravar suas próprias músicas e composições é uma atitude corriqueira de todos os músicos, mas Djavan tem essa assinatura com maior peso, já que é com raridade que ele grava músicas de outros artistas. No entanto, ele já foi brindado por Nana Caymmi, quem gravou Dupla Traição; Maria Bethânia, Álibi; e Roberto Carlos, A Ilha. Açaí e Faltando um Pedaço foram interpretadas por Gal Costa, causando furor nas rádios de todo o país. A contribuição de Caetano Veloso veio com a gravação de Sina, uma poderosa homenagem, onde Caetano troca neologismo de Djavan “caetanear” por “djavanear”.

A Associação Paulista dos Críticos de Arte também o aclamou com dois prêmios consecutivos de melhor compositor, em 1981 e 1982. É neste 1982 que Djavan assina contrato com a CBS, atual Sony Music, e começa a despontar na América do Norte. A faixa Samurai, por exemplo, do disco Luz, foi gravada nos Estados Unidos com participação de Stevie Wonder. A partir daí o músico e compositor, já consagrado, angariou mais e mais notas, mais e mais shows, e a venda dos discos saltariam de 40 mil para 350 mil cópias. Mais tarde, a academia americana também reconheceria, ainda que indiretamente, o talento de Djavan, ao premiar o grupo Manhattan Transfer, pelo álbum "Brazil", o qual teve cinco faixas reservadas para o alagoano.

Em meio à essa crescente produção musical, Djavan fez uma única tentativa, porém mal sucedida, ao diversificar sua arte, quando foi ator de cinema, no filme de Miguel Faria Jr. "Para viver um grande amor" (1983), atuando como um poeta-mendigo que se apaixona por uma moça da alta sociedade, encenada por Patrícia Pilar. A crítica não se sensibilizou, e ele mesmo reconheceu que sua veia artística não estava dentro dos estúdios cinematográficos, mas sim musicais.

Após esse desvio, ele retoma sua principal atividade com muita energia e produz a obra-prima Lilás em1984. Resgatada sua real potência como músico, entra em processo de produção, shows e novos projetos. Então vem os álbuns Meu Lado (1986), Não É Azul Mas É Mar (1987) e Oceano (1989). Daí faz três trabalhos que marcaram época: Coisa de Acender (1992), Novena (1994) e Malásia (1996). Novena é um trabalho de suma importâcia que canta e conta a realidade de vilarejos de Alagoas, e ainda tem a participação de sua filha Flávia Virgínia, que escreveu a música Avô.

Depois de Bicho Solto (1998), um CD não muito significativo segundo a crítica musical brasileira, Djavan estoura com seu primeiro álbum gravado ao vivo – "Djavan ao vivo" (1999), que atingiu a vendagem de mais de 1,8 milhão de cópias –, com 22 faixas de grande sucesso, como "Flor de Lis", "Meu Bem Querer", "Samurai" e "Faltando um Pedaço". Ele, porém, lançou novas músicas neste mesmo álbum, como "Acelerou", que lhe rendeu o prêmio de melhor canção no 1? Grammy Latino, em 2000. Dois anos depois, Djavan presenteia o público com Milagreiro, de uma competência singular, trazendo a participação de Cássia Eller, na faixa-título, e de seus filhos, o guitarrista Max Viana e o baterista e percussionista João Viana, além da poesia Modinha de Adélia Prado impressa ao final do encarte do CD.

E agora, o show Vaidade.

Quinta-feira, 31 de março
Hora: 7pm (o show começa às 8pm)
Local: The Forum
Endereço: 9-17 Highgate Road, Kentish Town, NW5
Reservas: 0870 060 3777
Preços: de £19.50 (em pé) a £25.00 (sentado)

www.djavan.com.br

Discografia

Djavan – 1976
Djavan – 1978
Alumbramento – 1980
Seduzir – 1980
Luz – 1982
Lilás – 1984
Meu Lado - 86
Não É Azul Mas É Mar - 87
Oceano - 89
Coisa de Acender – 92
Novena - 94
Malásia - 96
Bicho Solto - 98
Djavan ao Vivo – 99
Milagreiro – 2001
Vaidade - 2004

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